Saindo de um relacionamento pela porta dos fundos

Patrícia Saar Paz*

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Quase nunca é fácil encerrar um relacionamento, pode ser uma união de muitos anos, um casamento, namoro breve ou até mesmo alguém com quem se está saindo há pouco tempo. Diante desta dificuldade muitas pessoas optam por atalhos para chegarem ao fim, na expectativa de abreviarem seu desconforto. Acredito que estas tentativas de encurtar o caminho levam a uma saída da relação pela porta dos fundos.

Sair pela porta dos fundos é como sair escondido, tentando não se expor, após fazer algo inadequado. Ao usar esta expressão estou pensando em uma saída incoerente com o relacionamento. Aquela que deixa nos envolvidos sensações que podem ir desde falta de consideração e desrespeito até humilhação e desonra com a história vivida.

Ao perceberem que os relacionamentos em que estão já não atendem suas expectativas, algumas pessoas podem adotar comportamentos de sabotagem. Provocam brigas, tomam decisões que sabidamente irão ferir a(o) companheira(o), evitam contato e até tornam-se agressivas. Trata-se da estratégia covarde de levar a situação a um nível inaceitável para que o outro tome a decisão de terminar o relacionamento.

A infidelidade também é um exemplo claro deste tipo de comportamento “sorrateiro”. Usar o envolvimento com uma terceira pessoa para chegar ao fim pode ser a forma mais desonrosa de terminar uma relação. No entanto, embora seja bastante comum, não é a única.

Também fazem parte destes atalhos para o término algumas permissões que nos damos a fim de minimizar o desconforto. Ações que podemos até entender como sendo inadequadas, mas para as quais encontramos desculpas convenientes que nos permitem seguir com o equívoco sem sentimento de culpa – ou apesar dele: colocar-se disponível para conhecer pessoas novas porque não está dando certo mesmo; estabelecer contatos românticos e descaracterizá-los como traição, afinal, somos apenas amig@s e esta pessoa me dá atenção que você já não dá; terminar por telefone/e-mail/mensagem porque não conseguiria fazer isso pessoalmente.

Quando afirmo que as saídas sorrateiras são incoerentes com as relações, o faço pensando na relação com o outro e também comigo. Ninguém é obrigado a estar em um relacionamento. Precisamos estar sempre em contato com nossos sentimentos e percepções para sermos capazes de avaliar se a relação continua fazendo sentido. Se já não há sentimentos que a sustentem ou outros fatores a impedem de ser satisfatória, o caminho natural deveria ser encerrá-la. Para isso é preciso ter coragem. Devemos considerar que o término, por mais doloroso que possa ser, é capaz liberar as duas pessoas para se relacionarem com alguém que as aprecie, valorize sua presença e sinta prazer e gratidão por estarem juntas.

Certamente não há um momento ótimo para terminar uma relação e tampouco uma fórmula completamente indolor de fazê-lo. Penso que cabe aqui a regra de ouro de não fazer com o outro aquilo que não gostaria que fizessem comigo.

Imagem: “Door Knob” de Rachel Fischer.

*Patrícia Saar Paz CRP 04/34248 é psicóloga clínica na cidade de Belo Horizonte (MG). Atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

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