Celebrando a criança interior

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

crianças

Como estamos na semana do dia 12 de outubro, fui arrebatado pela vontade de escrever sobre a criança interior. Mais do que um texto, este é um convite que eu e o Multiverso Terapêutico fazemos a cada um de vocês: Celebremos a criança que habita em nós!

Lembro-me de Peter Pan, aquele menino que queria ser para sempre criança. Já se perguntaram pra quê? A minha resposta é: pra não se perder do encantamento com o mundo, do olhar de novidade e descoberta com a vida, da alegria que transborda em todo o corpo por algo simples. Para não abrir mão da criatividade e inventividade na resolução dos problemas, evitando se “afogar” na ruminação mental, tão desgastante. Acredito que para Peter ser adulto era sinônimo de ser tornar chato, sisudo, estressado e principalmente perdido. Era desconectar da criança que, mesmo já crescida, permanece presente em nosso mundo interno. Ele, leve como era, podia voar, enquanto os adultos estavam presos e limitados ao chão.

Exercitando um pouco o olhar reflexivo não será difícil percebermos adultos que desaprenderam a brincar, falar bobeira, se sujar e relaxar. “Não tenho tempo pra essas bobeiras!”. Perderam-se de si, da simplicidade da vida e sentem-se vazios. É como se quisessem uma existência hermeticamente fechada e previsível. Abominam o caos, a novidade e o movimento da mudança. Como diz Rubem Alves no texto “A libélula e a tartaruga”: adultos que viraram “armadura”. Pesada, fechada e enrijecida. Que se protegem da dor, mas acabam por se fechar para o amor.

Como psicólogo digo que transformei minha maneira de trabalhar ao atender crianças. Um verdadeiro processo de desconstrução. Mesmo em sofrimento, elas nos desafiam a sair de nossa zona de conforto intelectual e alcançar o seu tamanho para assim dialogar. Precisamos sair de nossa carapaça e expandir. Isso mesmo! Criança não é pequena, é gigante! Imensa! Desabrocha para todos os lados e de maneira viva e vibrante se relaciona com o mundo. Como adultos aprendemos a nos conter e levar tudo a sério demais.

Não faço aqui apologia à infantilização, mas quero lançar um olhar sobre a importância de construir ponte e diálogo entre o adulto e a criança que nos integram. Um não deve e nem pode anular o outro. A fluidez e o equilíbrio dinâmico permitem transitar sem inflacionar ou exagerar qualquer um destes lados.

No entanto, a criança interior não nos conecta apenas à alegria da essência de quem somos. Também pode nos contatar com as carências e traumas que vivenciamos em nossa história – abandono, abuso, violência, rejeição ou maus tratos. Portanto, celebra-la é também aprender a acolhê-la. Oferecer colo e nutrição para suas feridas e cicatrizes. Nutrir de afeto, carinho e consideração.

Você alguma vez já disse para si mesmo, com sinceridade, as palavras que gostaria de ter escutado na infância?

O cuidado com a criança interna é de nossa inteira responsabilidade. Este convite que fazemos não é apenas para esta semana, mas se estende por toda a vida. Resgatemos o amor por quem fomos e somos. Celebremos!

Imagem: Acervo pessoal de Patrícia Saar Paz e Vinicius Cavalcanti de Abreu.

Vinicius Cavalcanti de Abreu CRP 04/22.700 é psicólogo clínico na cidade de Belo Horizonte (MG). Atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.  Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

1 comentário

Arquivado em Psicoterapia

Uma resposta para “Celebrando a criança interior

  1. Mari Milia Lambertucci

    As fotos de vocês são realmente lindas!
    Ando vendo na clínica, pais forçando crianças a serem pequenos adultos, criando rotinas que não permitem o lugar da brincadeira e ainda não respeitando o tempo da criança.
    Precisamos estar atentos… Precisamos ser mais espontâneos… Precisamos nos conectar mais com nossa criança interior.

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