Ano novo, vida nova?

Patrícia Saar Paz e Vinícius Cavalcanti de Abreu*

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Chegamos àquela época em que muitas pessoas fazem balanços do ano que “acabou” e planos para o ano que “começa”. Diversos textos e imagens circulam pelas redes sociais salientando a importância da renovação e há votos de “vida nova” por todos os lados. A sensação é de que já não há tempo suficiente para realizar nada em 2015 e de que devemos concentrar nosso foco no recomeço, fazendo tudo diferente, partindo do zero.

Acreditamos que a possibilidade do novo é extremamente valiosa e deve ser celebrada. Há situações em nossas vidas em que nos revigoramos com o frescor dos nascimentos: o projeto inaugurado, o amor que tem início, uma nova vida chegando ao mundo. Mas devemos encarar a passagem dos anos da mesma maneira?

Entre os vários rituais criados e institucionalizados por nós, seres humanos, em nossa cultura, o fim de ano ocupa posição especial. Natal e Reveillon são épocas em que dizemos, planejamos e desejamos muito, no entanto, ao longo do ano, concretizamos pouco por não encararmos os projetos com a seriedade e disciplina que merecem. No momento da emoção traçamos várias metas que acabam ficando pelo caminho. A fala, quando destituída de mobilização de energia e ação, perde seu poder transformador.

Não devemos nos enganar com ideias como “ano novo, vida nova”, pois renovar é uma desconstrução que pede tempo e disciplina. Não devemos nos iludir com “o novo ano é minha chance de recomeçar do zero” já que a vida é um processo e está sempre interligada. Término e recomeço são simbólicos, portanto, dia 1º de janeiro será a continuidade de todos os dias já vividos até hoje. Nada será apagado para ser reescrito. Precisamos nos perguntar como estamos construindo as narrativas de nossas vidas até este momento e qual correção de rumo seria necessária, para assim escrevermos a história de que desejamos ser protagonistas.

Gostaríamos de fazer uma proposta a vocês.

Consegue lembrar-se das metas para 2015? Algo que tenha desejado fazer, que acabou ficando para trás, mas que ainda encontre forte apelo e sentido dentro de você? Pois bem, ainda faltam 10 dias para o fim deste ano e mesmo que não seja possível concluir esse projeto, seria possível dar o pontapé inicial para sua concretização? Criar contexto para que ele possa deixar de ser apenas um pensamento, ideia ou desejo e se materializar em ação.

Coloquem os pés no chão. Façam um exame de consciência. O que é prioridade? Com o que consigo me comprometer neste momento? Onde consigo investir minha energia e agir? Quais recursos tenho para isso? Quais obstáculos consigo antever? Quais as possíveis estratégias para contorna-los? Lembre-se, foco é muito importante: “Quem tudo quer nada tem”.

Desejamos a vocês muitas conquistas e aprendizados. Que todo dia seja uma oportunidade de empoderamento e bem estar. Que fala, foco e ação estejam sempre interligados, trazendo muita saúde e evolução.

Imagem: “Details”, de  Roman Opałka.

*Patrícia Saar Paz CRP 04/34218 e Vinícius Cavalcanti de Abreu CRP 04/22.700 são psicólogos clínicos na cidade de Belo Horizonte (MG). Atendem crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.  Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

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