Arquivo do mês: fevereiro 2016

A máscara de “bonzinho” e o direito ao grito

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

máscara do bonzinho e da boazinha 5

Meus clientes provavelmente já me ouviram dizer em algum momento que considero os elogios bonzinho e boazinha grandes ofensas. Não só porque existem denominações muito mais criativas e interessantes para nos referirmos a uma pessoa, como principalmente porque estes adjetivos, muitas vezes, sinalizam excesso de permissividade e evitação extrema de conflito.

O aluno bonzinho é aquele que não dá trabalho em sala de aula e não questiona. A filha boazinha geralmente é aquela que segue à risca minhas expectativas e não ousa pensar com a própria cabeça e sentir com o próprio coração. Os funcionários bonzinhos aceitam sem reclamar sanções e explorações que requereriam ao menos um grito de indignação. Continuar lendo

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Atitudes extremas podem ser saudáveis?

Patrícia Saar Paz*

atitudes exageradas podem ser saudaveis 3

Há alguns dias acompanhei a seguinte conversa:

– Vou excluir meu perfil naquela rede social.

– Por quê?

– Porque acabo gastando tempo demais lá e deixo de fazer coisas mais importantes.

– Isso é falta de controle. Você tem que aprender a administrar melhor seu tempo.

Inúmeras vezes falamos sobre a importância do equilíbrio aqui no Multiverso. Uma vida equilibrada requer consciência de si, negociações constantes entre o que queremos e o que é possível, discernimento entre o ideal e o real. Partindo destas ideias, pode-se considerar uma atitude aparentemente extrema como sendo saudável?

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Mortes necessárias: conversando sobre desapego

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Mortes necessárias

Recentemente me deparei com esta imagem em uma rede social e imediatamente fui inundado por reflexões e sentimentos. Confesso que reverberou e incomodou. A meu ver ela retrata a importância de conseguir desapegar, literalmente “abrir mão”. Acredito que deixar ir é uma forma de permitir e aceitar a morte.

Acostumamo-nos a associar o morrer a algo biológico. O momento em que deixamos de existir no plano físico e interrompemos nossa caminhada relacional neste mundo. Mas a morte, enquanto oposto complementar do nascimento, pode ser vista por diversos outros ângulos. Diariamente somos desafiados a morrer e renascer no campo dos afetos, profissional, familiar ou espiritual. Continuar lendo

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Carnaval para quem (não) gosta

Patrícia Saar Paz*

carnaval para quem não gosta

O carnaval é um período que divide opiniões. Há quem adore participar dos cortejos de rua, reunir amigos e festejar e quem seja capaz de listar uma serie de motivos segundo os quais ninguém deveria fazer comemoração alguma.

Seja qual for sua opinião, nós do Multiverso defendemos que este seja, acima de tudo, um período de respeito e posicionamentos conscientes.

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Quando eu… Uma história sobre adiamentos

Vinicius Cavalcanti de Abreu* e Amy Magalhães Sholl**

sad butterfly girl - Belissimorte

Lilica era uma lagarta que nasceu com muita fome. Amava folhas de todos os tipos e as devorava com incrível voracidade. Mas a principal fome de Lilica era de felicidade.

Tudo começou quando ainda frequentava o pré-borboletal na escola de lagartas. Ouviu a professora falar, apaixonadamente, sobre o voo inicial após a transformação em borboleta. “Meninas, o primeiro voo é um momento magnífico. Estejam plenas, lindas e felizes!”

Lilica amou a palavra PLENA. Ela fazia cócegas em sua barriga e despertava um leve comichão. Naquele instante encontrou a expressão que descrevia tudo o que ela mais queria da vida: ter felicidade plena!

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