Carnaval para quem (não) gosta

Patrícia Saar Paz*

carnaval para quem não gosta

O carnaval é um período que divide opiniões. Há quem adore participar dos cortejos de rua, reunir amigos e festejar e quem seja capaz de listar uma serie de motivos segundo os quais ninguém deveria fazer comemoração alguma.

Seja qual for sua opinião, nós do Multiverso defendemos que este seja, acima de tudo, um período de respeito e posicionamentos conscientes.

Convido nossas leitoras e leitores a encararem este feriado de uma maneira diferente do seu posicionamento habitual: àqueles que militam contra, sob a justificativa de ser “o ópio do povo”, sugiro que conheçam a história de blocos e manifestações de rua de suas cidades.

Carnaval BH Flávia MafraEm Belo Horizonte, por exemplo, há blocos que surgiram a partir de demandas sociais e pautas políticas e suas ações extrapolam o período do carnaval. Este pode ser um movimento que não lhe agrada ou com o qual não concorda, mas é imprudente dizer que se trata de um período de pura libertinagem, como muitos insistem. (Conheça a história de alguns blocos da cidade assistindo a este documentário).

Aos que defendem a folia acima de tudo, estimulo refletirem sobre o impacto dos excessos em sua vida e na dos demais. Comemorar pode ser ótimo, mas quando os limites são ultrapassados, como ficam as consequências? Minhas ações, inspiradas ou justificadas pela euforia carnavalesca, extrapolam o direito e a dignidade de quem me cerca? Ferem minha integridade em algum nível? Os outros podem ser punidos em nome da minha alegria?

 Carnaval excessoCostumeiramente, carnaval nos remete ao uso abusivo de álcool – livre e até mesmo estimulado – e de outras drogas. Advertimos que o efeito destas drogas afeta o discernimento de consequências e propicia a realização de atos nocivos, tais como a prática de sexo sem preservativo. Mesmo quando não há abuso de álcool ou drogas, parece que a festa justifica ações que não ocorreriam em outros momentos e que expõe a pessoa a situações de vulnerabilidade. Precisamos refletir sobre a justificativa “mas é carnaval!” e sua real validade.Carnaval secretaria de estado de saúde de minas gerais

Carnaval Campanha Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana da ParaíbaCarnaval Campanha Revista VipLembramos que alguns “excessos” de carnaval são, na verdade, atos criminosos que cada um deve evitar e que todos devem combater. Forçar beijos, tocar o corpo alheio sem permissão e mesmo urinar em público não devem ser tidos como “coisas da festa”. Não são.

Acredito que mesmo em épocas de adversidade é importante encontrar razões para se alegrar – e pular carnaval pode ser uma maneira –, sem desconsiderar incômodos reais e fechar os olhos para problemas sérios – por exemplo, fazendo de conta que compromissos não existem e festejando como se não houvesse amanhã: é necessário haver equilíbrio.

Imagens: 1 -Imagem retirada da Internet, autoria desconhecida; 2 – Fotografia de Flávia Mafra; 3 – Imagem retirada da Internet, autoria desconhecida; 4 – Campanha da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais; 5 – Campanha da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba; 6 – Campanha da revista VIP.

*Patrícia Saar Paz CRP 04/34248 é psicóloga clínica na cidade de Belo Horizonte (MG). Atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

Deixe um comentário

Arquivado em Temáticas Contemporâneas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s