Arquivo do mês: março 2016

Defesas: quando a armadura se transforma em armadilha

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Defesas1

Como conseguimos sobreviver às dificuldades, crises e imprevistos da vida? O princípio do viver é a incerteza e estamos todos vulneráveis às voltas e reviravoltas que o mundo dá. Por mais que nos esforcemos para construir regularidades, ordem e “certezas”, estas são apenas ilusórias e cumprem a função de não nos sentirmos desamparados frente ao caos de possibilidades em que estamos imersos.

Diante deste caos ilusoriamente ordenado que é o viver, todos nós, seres humanos, construímos mecanismos de defesa para nos protegermos da intensidade de sentimentos e situações vivenciadas. Estas defesas funcionam como armaduras que blindam nosso ego (eu) em momentos muito mobilizadores e estressores. A armadura permite que o cavaleiro não se sinta vulnerável ao ataque do inimigo e sucumba durante a batalha. Como o ego acredita que não conseguirá sobreviver às crises, ele se arma em busca de autopreservação. Continuar lendo

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Mea Culpa

Patrícia Saar Paz*

A square peg forced into a round hole. 3D render with HDRI lighting and raytraced textures.

Você sabe lidar com erros, sejam seus ou de outra pessoa? O medo de cometer um engano te impede de agir? Já se viu tendo que pedir desculpas por algo que não acreditava ser justo ou teve a sensação de que um pedido de desculpas destinado a você era, na verdade, a repetição da ofensa sofrida?

Acredito que estas sejam dificuldades compartilhadas por todos nós, dada nossa relação pouco saudável com o erro. Afirmo que é pouco saudável porque tendemos a desconsiderar o erro como parte importante dos processos de crescimento e aprendizado. Queremos avanços, melhorias e desenvolvimento, e queremos tudo isso com perfeição. Queremos, mas seguramente não teremos esse desejo alcançado.

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Filhos reais e nossas expectativas de perfeição

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Filhos de madeira

Acredito que todos conheçam a clássica história de Pinóquio. Confesso que sou apaixonado pelo personagem e sua riqueza. Entretanto, percebo que muito da utilização terapêutica de sua narrativa está focada na moral de aprender a ser um bom garoto, não mentir e obedecer aos pais. Proponho mudarmos o foco de visão para abarcar outro caminho possível.

Um senhor solitário, serralheiro, morador de uma pequena aldeia, cria um boneco de madeira e chama-o de filho. À noite pede às estrelas que seu boneco se transforme em um menino de verdade. A Fada Azul ouve o pedido, se sensibiliza e realiza o desejo de Gepeto. Pinóquio chega à vida, mas como um menino de madeira. Engraçado, amável, de personalidade forte e com muitas dificuldades que desestruturarão toda a rotina pacata e organizada do pai. O desejo realizado nunca é da ordem do ideal, mas do real.

A metáfora do filho de madeira ilustra aqui a criança imperfeita, que congrega nuances que caminham entre qualidades/defeitos, potenciais/limitações e a ordem/caos durante sua trajetória de vida. Continuar lendo

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O que fazer com um coração partido

Patrícia Saar Paz*

o que fazer com um coração partido

Reconheci o que me fazia mal e abri mão. Só que agora me sinto sem chão, não sei como agir. Entendo que não posso voltar atrás e me amarrar novamente àquilo que me machucava, mas ainda me pergunto o que fazer com o vazio que ficou.”

O texto “Mortes necessárias” possibilitou muitas reações, uma delas foi traduzida no trecho acima. Ele não traz perguntas, mas expressa uma dor que merece acolhimento, um tipo de dor que, provavelmente, você já experimentou também. Hoje me dirijo a todas as pessoas que já tiveram seu coração partido.

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