Como você pode ser feliz?

Patrícia Saar Paz*

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Reclamamos, escrevemos e lemos textões em redes sociais. Ficamos indignados – e passamos um bom tempo nutrindo essa indignação. Guardamos mágoas, remoemos frustrações, contamos (mais de uma vez) todas as coisas desagradáveis que nos aconteceram ou soubemos ao longo do dia. Tudo isso pode nos tornar bastante miseráveis. Mas queremos muito ser felizes.

Naturalmente, não há uma fórmula para felicidade – desconfie de qualquer pessoa que prometa revelar tal coisa, pois as definições do que é felicidade, os meios para alcançá-la e mesmo sua vivência serão diferentes para cada um. Mas é seguro dizer que alguns comportamentos minam nossas possibilidades de sermos felizes.

Alegria e felicidade são diferentes

Não apenas alegria e felicidade, mas emoção e sentimento têm significados distintos. De forma muito simplificada, emoções são respostas químicas e neurais que se manifestam no nosso corpo a partir de algum estímulo (externo ou interno, como memórias, por exemplo) antes mesmo que tomemos consciência do que está acontecendo. Já os sentimentos são mais complexos, passam pela nossa compreensão e requerem a auto percepção do corpo e dos pensamentos. Vejamos como isso se dá com alegria e felicidade: a alegria é considerada uma emoção básica. Podemos pensar na alegria como um pico de satisfação e êxtase. Ela é intensa, porém efêmera. Já a felicidade é um sentimento. Ela pode ser mais perene e branda que a alegria, sendo muitas vezes associada a um estado de paz interior.

Alguns erros na busca pela felicidade

– Estabelecemos que para alcançar felicidade precisamos atingir objetivos específicos. É saudável fazer planos e necessário levar em consideração a realização que eles trarão. No entanto, muitas pessoas convertem seus planos em adiamentos, de forma que a felicidade (idealizada) não chega nunca. Tais adiamentos costumam ter motivações mais profundas, que precisam ser investigadas e compreendidas.

– Tratamos a felicidade como meta. Se consideramos que metas são a. relativas ao momento futuro e b. passíveis de conclusão, abrimos mão da conexão com as vivências do presente, pois tudo o que eu faço hoje é para ser feliz no amanhã, e nos iludimos com uma felicidade permanente. Agora eu sou feliz como se nada mais pudesse abalar o que sinto. Felicidade acaba. E ressurge. Faz parte do fluxo natural da vida.

Não nos conhecemos. Dedicar-se ao autoconhecimento é fundamental para a vivência da felicidade. Não é raro cultivarmos a crenças de que algumas coisas nos farão felizes e descobrirmos, através de uma investigação pessoal, que estas ideias vêm do meio externo e não correspondem à nossa verdade.

Nos cercamos de negatividade. Se compreendemos que os sentimentos surgem da auto percepção de sensações corporais e pensamentos, podemos ver como padrões de pensamento constantemente pessimistas ou negativos nos afastam da felicidade. A realidade pode ser dura e não devemos de forma alguma fazer vista grossa para as mazelas da vida. Mas é fundamental ter equilíbrio, o que significa buscar ativamente coisas boas para o nosso convívio.

Como é possível ser feliz?

Pesquise formas de se sentir mais feliz. Fora da internet! Vivencie as atividades do seu cotidiano e os relacionamentos que estabelece com mais consciência, buscando perceber o impacto que eles têm sobre você e valorizando adequadamente aquilo que for positivo. Esse tipo de investigação permite que se conheça os padrões de comportamento, sentimento e pensamentos.

Costumo encorajar algumas ações e reflexões que podem ser úteis, mas, lembre-se de que não há fórmula. Apenas você, através do autoconhecimento, poderá descobrir o que lhe faz feliz: investigue motivos para se orgulhar de si mesma/o e para admirar as pessoas que fazem parte da sua vida; busque resolução para situações que possam ter lhe machucado no passado; procure motivos para ser grata/o.

Os limites da busca pela felicidade

Sua felicidade só depende de você. Eis uma frase comum e, na minha opinião, um tanto perigosa. Ela faz parecer que é possível apenas decidir ser feliz e voilà! tropeçamos na felicidade. Não podemos desconsiderar que há momentos de vida que dificultam essa vivência. Questões situacionais, como a perda de um ente querido, ou biológicas, como um quadro depressivo, podem configurar impedimentos reais para a felicidade. Nestes casos, o melhor a fazer é buscar ajuda especializada.

Imagem: Obra de Yayoi Kusama, integrante da exposição My Eternal Soul. Yayoi Kusama, artista plástica e escritora japonesa de 87 anos, encontrou na arte uma maneira de lidar com a esquizofrenia.

*Patrícia Saar Paz CRP 04/34248 é psicóloga clínica na cidade de Belo Horizonte (MG). Atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

 

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