O que sua vida financeira diz a seu respeito?

Patrícia Saar Paz*

Você dedica tempo pensando em sua vida financeira? Saberia dizer com confiança quais são seus rendimentos e despesas mensais? Tem reservas para eventualidades? Já ficou – ou está – endividado/a, com nome sujo, no cheque especial?

Não é comum que conversemos sobre dinheiro no cotidiano e tampouco que as pessoas cheguem ao consultório de psicoterapia queixando-se de suas vidas financeiras. O que o trabalho psicoterapêutico poderia ter a ver com as finanças do cliente, então?

Acredito que analisar os comportamentos financeiros pode gerar valiosas pistas sobre nossos comportamentos de maneira geral, além de ser um interessante ponto de partida para empreender mudanças significativas na vida.

Sempre no vermelho. Em nossa última publicação trouxemos a temática da sabotagem para reflexão (se ainda não leu, clique aqui). Como vimos, a sabotagem tem mecanismos de funcionamento muito complexos e sutis. Estar sempre endividado/a e impossibilitado/a de realizar projetos ou ter uma vida mais confortável é uma queixa frequente. Não me refiro aqui àquela (grande) parcela da população que trabalha informalmente ou que se submete a empregos precários para sobreviver e manter suas famílias. Falo de pessoas com recursos matérias razoáveis que se comportam de forma financeiramente irresponsável, boicotando as possibilidades de realizar seus projetos de vida.

Quando eu tiver dinheiro suficiente… Por outro lado, há quem economize, poupe e invista, fazendo o dinheiro crescer e se multiplicar. Para nada. Às vezes há um projeto ou um sonho, mas, por algum motivo (oportuno), nunca surge o momento ideal para sua realização. Em outros casos há apenas a expectativa de estar pronto para eventualidades. E o ato da preparação justifica-se em si mesmo, enquanto a vida passa sem ser aproveitada. São comportamentos de adiamento, como já falamos neste belo texto colaborativo.

Eu precisava ganhar mais. Então vamos falar da sua vida profissional. Você é boa/bom no que faz? Dedica-se à sua formação e prática? É responsável com sua carreira? Se respondeu sim* para as três questões, reflita: quem está desvalorizando seu trabalho é a empresa/pessoa para quem trabalha ou é você? Muita gente tem medo/vergonha de pleitear um aumento salarial. Em parte, é compreensível que se tenha cautela em momentos de instabilidade econômica. Mas são recorrentes as situações em que a relutância em ir conversar com a/o chefe passa pela dificuldade de valorizar a si mesma/o. Cenário semelhante ao de profissionais liberais que cobram bem baratinho, como se a pessoa que consome seu produto/serviço estivesse lhe fazendo algum tipo de favor.

*Se você respondeu não, aproveite o momento para pensar o rumo que quer dar para sua vida profissional. Nem sempre é possível trabalhar com o que se ama, encontrar um trabalho que seja seguro e estável, ficar rica/o sem sair de casa ou qualquer um desses clichês. Mas você passará boa parte da vida trabalhando e é melhor para sua saúde e bem-estar que essa atividade seja bem pensada e planejada. Que as contas não se pagam sozinhas, todo mundo sabe, então vamos fazer o possível para, além de dinheiro, ganhar satisfação com a vida profissional.

Nem vejo meu dinheiro. Sabe aquela pessoa que sempre acaba pagando pela geladeira que estraga, o cano que estoura, a conta da luz que alguém esqueceu e acabou atrasada? Pode ser que esse comportamento de cofrinho da família reflita dificuldades para priorizar os próprios desejos e projetos. O problema não está no socorro prestado. A questão aqui é fazer além da sua parte para compensar a falta dos outros e acabar nunca fazendo as coisas que deseja para si. Esse nível de anulação reflete um nível de negligência pessoal que merece atenção.

Não me importo com dinheiro. Quem não se importa em ganhar dinheiro é, em geral, alguém sustentado pela família. E não há nada de saudável e funcional em uma relação que gera dependência financeira. Seja através de um apoio financeiro incondicional ou de cuidado e preocupação que levam ao boicote “você não precisa se submeter a trabalhar com isso, procure um emprego que esteja à sua altura”. Manter ou apoiar a dependência financeira de um membro da família é impedir seu crescimento.

Listei alguns cenários que podem aproximar-se de sua vivência ou despertar para reflexão sobre seus padrões de comportamento financeiro. Dedique um tempo para pensar sobre o assunto. Se as descobertas não forem animadoras, observe o que esses padrões de funcionamento dizem sobre a forma como você vem conduzindo sua vida. E se sentir que pode ser necessário, procure ajuda profissional!

Imagem: Imagem retirada da internet, autoria desconhecida.

*Patrícia Saar Paz CRP 04/34248 é psicóloga clínica na cidade de Belo Horizonte (MG). Atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Contanto: multiversoterapeutico@gmail.com

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Arquivado em Psicoterapia, Temáticas Contemporâneas

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