Arquivo da categoria: Narrativa Terapêutica

Nós, equilibristas nas cordas da vida

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

nos-equilibristas

Lá está ele, o equilibrista. Sabe que não é o único. Muitos outros caminham por estas cordas e contemplam estes precipícios. Atrás, uma rede de fios entrecruzados. Paralelos, tangentes, diagonais. Uma infinidade. Deste emaranhado, ao mesmo tempo belo e estranho, fazem parte também aquelas cordas que ficaram apenas na imaginação. Às vezes até se pergunta: Por onde aquele caminho haveria me levado? Mas no fundo sabe que é inútil se questionar. Resposta não existe para aquilo que ficou apenas na possibilidade. Continuar lendo

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O passarinho que construiu sua própria gaiola

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

O passarinho que construiu sua própria gaiola

Essa é a história de dois pássaros. Acreditem: eram gêmeos. Dico e Tico nasceram sincronicamente no mesmo horário, cada qual de seu ovo. Foi um espanto e deslumbramento geral. Nunca no bosque coisa igual fora vista. Pareciam realizar em uníssono o passo a passo do rito do nascimento.

E como eram idênticos esses irmãos. Idênticos até em suas diferenças! Continuar lendo

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Quando eu… Uma história sobre adiamentos

Vinicius Cavalcanti de Abreu* e Amy Magalhães Sholl**

sad butterfly girl - Belissimorte

Lilica era uma lagarta que nasceu com muita fome. Amava folhas de todos os tipos e as devorava com incrível voracidade. Mas a principal fome de Lilica era de felicidade.

Tudo começou quando ainda frequentava o pré-borboletal na escola de lagartas. Ouviu a professora falar, apaixonadamente, sobre o voo inicial após a transformação em borboleta. “Meninas, o primeiro voo é um momento magnífico. Estejam plenas, lindas e felizes!”

Lilica amou a palavra PLENA. Ela fazia cócegas em sua barriga e despertava um leve comichão. Naquele instante encontrou a expressão que descrevia tudo o que ela mais queria da vida: ter felicidade plena!

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Minha carta de amor

Patrícia Saar Paz*

amor perfeito

Já vivi amores barulhentos, que começam avassaladores, tiram o sono, a fome, a atenção e só deixam sorrisos bobos e borboletas batendo asas no estômago. Eu os via como amores, não posso negar. Mas hoje sei que eram paixões.

Todas elas duraram pouco e surgiram por algum motivo muito específico. Ainda que ressaltassem características importantes, nunca contemplavam minha totalidade: “como você está linda!”,uau, sua voz é incrível”, “ninguém faz isso tão bem quanto você”. Acredito ser esse o motivo de serem passageiras. Quando o encantamento saía de cena, logo a paixão o seguia e eu ficava novamente sozinha. Continuar lendo

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Carta de alguém que desistiu

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Carta (jump)

Hoje acordei decidido. Não por impulso ou capricho, mas, pode ter certeza, por extrema necessidade e após muita reflexão. Ponderei demais antes de escrever esta carta. Não quero soar inconsequente ou infantil, sei muito bem o que é agir de forma imatura somente para chamar atenção. Este não é meu objetivo.

Talvez alguns de vocês não tenham sequer percebido minha ausência. A presença de corpo foi capaz de enganar e o burburinho de toda a gente serviu de camuflagem para o silêncio que há algum tempo se instalou por dentro. Esta estrada não é de hoje que a percorro. Continuar lendo

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