Arquivo da categoria: Psicoterapia

Porque não cuidei disso antes? Ou, as urgências e a corrida contra o tempo

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Problemas e dificuldades fazem parte da vida. Não existe quem não os tenha ou precise resolvê-los. Digo que problemas emergem, surgem em nosso caminho mesmo que não os tenhamos deliberadamente “procurado”.

Estou dirigindo para o trabalho quando, de repente, um motorista se distrai na direção e bate na traseira do meu carro gerando um estrago que precisará ser resolvido e me privará do veículo por duas semanas.

 Chamo esse tipo de situação de emergência. Problemas, empecilhos ou dificuldades que nos acontecem em algum momento e demandam atenção e cuidado. O espectro de possibilidades é vasto: desorganização financeira, uma ansiedade que nos incomoda, uma tristeza constante, crise no relacionamento, brigas frequentes com o filho, perda do emprego, insônia, acúmulo de tarefas do trabalho, aumento da ingestão de bebida alcoólica. Todos esses são exemplos de emergências e sinalizam a necessidade de algum tipo de intervenção. Continuar lendo

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A impossibilidade de dar conta de tudo

Patrícia Saar Paz*

 

Alguns clientes, após sessões muito mobilizadoras, já me perguntaram você não sai daqui exausta depois de tanto sofrimento?. A verdade é que, sim, às vezes eu saio. Pode acontecer, e os leitores e leitoras que são clientes sabem disso, da sessão ser mobilizadora para mim também, e eu me emocionar junto. Seja por uma tristeza muito dolorida ou uma felicidade transbordante. Sem pedidos de desculpas no final, acontece.

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Mortes – conversando sobre permanência

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Diz o dito popular: vão-se os anéis, ficam os dedos. Mas, ao nos defrontarmos com mortes, como é doloroso e difícil reconhecermos o que permanece. Olhares voltados para a perda e para a ausência resistem em reconhecer o que fica e se mantém. Toda mudança convive com permanência. Toda perda abarca ganho. Para tudo que se vai, existe algo que fica.

Uso a palavra mortes, no plural, porque entendo que as possibilidades de morte são várias. Não apenas a morte física. Morte abarca tudo aquilo que se perde (se é que um dia realmente possuímos) e que em algum momento, por alguma contingência, não se encontra mais disponível ou acessível como antes. Seja um emprego, casamento, alguém querido, dinheiro, um animal de estimação, um membro ou órgão do corpo, uma amizade, um sonho ou até mesmo uma ideologia de vida. Continuar lendo

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O que sua vida financeira diz a seu respeito?

Patrícia Saar Paz*

Você dedica tempo pensando em sua vida financeira? Saberia dizer com confiança quais são seus rendimentos e despesas mensais? Tem reservas para eventualidades? Já ficou – ou está – endividado/a, com nome sujo, no cheque especial?

Não é comum que conversemos sobre dinheiro no cotidiano e tampouco que as pessoas cheguem ao consultório de psicoterapia queixando-se de suas vidas financeiras. O que o trabalho psicoterapêutico poderia ter a ver com as finanças do cliente, então?

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Sabotagem à vista!

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Costumo dizer que algumas vezes trazemos cupins para nossas vidas. Eles chegam de mansinho, geralmente como pensamentos ou sensações inofensivas e vão fazendo seu trabalho na surdina. Pouco a pouco ganham força, multiplicam, tornam-se mais complexos e elaborados. Quando menos esperamos, SABOTAGEM! Desmontam toda uma estrutura que supostamente havíamos construído ou, pelo menos, tentávamos edificar. Ficaram tão ocas por dentro que não se sustentam mais.

Quanto melhor elaborada e justificada racionalmente, mais difícil identificar uma autêntica sabotagem. Os argumentos são tão fortes, os motivos tão intensos que o único caminho parece ser desistir de um projeto, abandonar a academia, desinvestir de um relacionamento, não ir mais à terapia, “chutar o balde” dos cuidados com a saúde ou se convencer de que é loucura desejar mais da vida. Continuar lendo

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Psicoterapia é para os fortes

Patrícia Saar Paz*

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Você se lembra do bicho papão tirando sua tranquilidade na infância?

Não era raro que esse e outros monstros aparecessem dentro do armário, embaixo da cama ou se escondessem atrás de uma cortina. Escolhiam um momento em que estivéssemos sozinhas/os e no escuro para personificarem nossos medos e tirarem nossa paz. Impossível dormir assim! A solução, invariavelmente, era correr para o quarto dos pais ou gritar por socorro.

Graças ao bicho papão eu passei minha infância acreditando que todo adulto era corajoso. Afinal, eram eles que acendiam a luz e mostravam que não tinha monstro nenhum ali. Qual não foi minha surpresa ao descobrir, já adulta, que bicho papão muda de nome e cresce junto com a gente, perturbando nossas noites e sossego. E, pior ainda, que muito adulto têm medo de bicho papão a ponto de viver encolhido na cama, debaixo do cobertor, sem coragem de espiar o armário.

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Me ajuda? 7 Princípios para reflexão

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

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Saber pedir, dar, receber, oferecer e agradecer são aprendizados evolutivos em nossas vidas. Requerem empatia, humildade, senso de reciprocidade e gratidão. Como seres que convivem, trocam e interdependem, nos relacionamos com base na mútua cooperação. Ajudamo-nos a todo o momento e nas mais diversas situações e adversidades. Assim sobrevivemos e alimentamos o prazer de viver juntos.

Atuando como psicólogo, constantemente reflito – internamente e com clientes – sobre as relações de ajuda. Nem sempre é fácil administra-las no dia a dia, o que pode resultar em muitos mal entendidos, equívocos, mágoas e confusões. Frases como: “não quero pedir”, “ajudo a todos, mas quando preciso…”, “detesto incomodar aos outros”, “estou desesperado, me ajuda”, “se fosse pra ajudar desse jeito nem precisava” são frequentemente ouvidas em consultório.

Por isso resolvi abordar alguns princípios da relação de ajuda que considero importantes para balizar e ampliar o olhar sobre esta temática em nossas vidas. Continuar lendo

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É possível mudar o passado

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

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É isso mesmo. O título deste texto não é uma pergunta, mas uma afirmação. Podemos sim mudar o passado. E o principal: sem precisar do auxílio de um “Delorean” (carro usado no filme “De volta para o futuro”) ou recorrer à alteração do continuum espaço-tempo. Sinto muito, mas as opções acima ainda não se encontram disponíveis no mercado.

Referimo-nos ao passado como algo que se foi e está pronto, acabado e encerrado. Uma longa sucessão de fatos que, inclusive, antecede nossa existência. Não à toa estudamos a disciplina de História na escola. Chegamos inclusive a dizer que contra fatos não há argumentos. Mas será?

Ao mesmo tempo em que pode ser fonte de saudosismo, algumas vivências passadas tem o potencial de acorrentar ou assombrar como um fantasma, que espreita de maneira silenciosa e mordaz. A estas nos referimos como feridas que não conseguimos cicatrizar. Continuar lendo

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Cegueira Emocional

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

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Recebi esta imagem e a tinha guardado desde então, esperando o momento propício de compartilhá-la. Ao mesmo tempo simples e contundente, ela nos convida à reflexão sobre a maneira como estabelecemos nossas relações afetivas e nos alerta sobre o quão nocivo é nos alienarmos de nossas dificuldades emocionais.

Certa vez ouvi alguém dizer que a ignorância (no sentido de não ter consciência de algo) é uma benção. Será? Fugir ou evitar aquilo que dói e incomoda pode parecer uma boa estratégia de sobrevivência, mas na grande maioria das vezes também cobra um preço amargo.

Tolamente acreditamos que conseguimos driblar o trauma, problema ou dificuldade e nos convencemos que ele não existe mais, como que por mágica. Sentimo-nos espertos e poderosos. Entretanto, é fato: tudo aquilo que está em aberto ou mal resolvido em nossas vidas pede por fechamento e de alguma maneira retorna em busca de resolução. Continuar lendo

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Ajude-me a mudar… desde que eu não precise mudar nada

Vinicius Cavalcanti de Abreu**

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Partilho da ideia de que terapeuta e cliente encontram-se em uma dança relacional* ao longo do processo terapêutico, onde, cada qual desempenha função ímpar para a harmonia, beleza e conquistas desta jornada.

O movimento de chegada de um cliente até a terapia é um passo muito importante, mas apenas o inicial para se deflagrar uma real busca e disposição para a mudança. É muito comum que a frase ouvida no subtexto das falas do cliente, “ajude-me a mudar”, tenha como complemento “… desde que eu não precise mudar nada!”. Convenhamos! Mudar é trabalhoso e arriscado. Por mais desconfortável que seja o lugar em que estou, este já é bem conhecido e tem lá o seu conforto e segurança.

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