Mortes – conversando sobre permanência

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Diz o dito popular: vão-se os anéis, ficam os dedos. Mas, ao nos defrontarmos com mortes, como é doloroso e difícil reconhecermos o que permanece. Olhares voltados para a perda e para a ausência resistem em reconhecer o que fica e se mantém. Toda mudança convive com permanência. Toda perda abarca ganho. Para tudo que se vai, existe algo que fica.

Uso a palavra mortes, no plural, porque entendo que as possibilidades de morte são várias. Não apenas a morte física. Morte abarca tudo aquilo que se perde (se é que um dia realmente possuímos) e que em algum momento, por alguma contingência, não se encontra mais disponível ou acessível como antes. Seja um emprego, casamento, alguém querido, dinheiro, um animal de estimação, um membro ou órgão do corpo, uma amizade, um sonho ou até mesmo uma ideologia de vida. Continuar lendo

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O que sua vida financeira diz a seu respeito?

Patrícia Saar Paz*

Você dedica tempo pensando em sua vida financeira? Saberia dizer com confiança quais são seus rendimentos e despesas mensais? Tem reservas para eventualidades? Já ficou – ou está – endividado/a, com nome sujo, no cheque especial?

Não é comum que conversemos sobre dinheiro no cotidiano e tampouco que as pessoas cheguem ao consultório de psicoterapia queixando-se de suas vidas financeiras. O que o trabalho psicoterapêutico poderia ter a ver com as finanças do cliente, então?

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Sabotagem à vista!

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Costumo dizer que algumas vezes trazemos cupins para nossas vidas. Eles chegam de mansinho, geralmente como pensamentos ou sensações inofensivas e vão fazendo seu trabalho na surdina. Pouco a pouco ganham força, multiplicam, tornam-se mais complexos e elaborados. Quando menos esperamos, SABOTAGEM! Desmontam toda uma estrutura que supostamente havíamos construído ou, pelo menos, tentávamos edificar. Ficaram tão ocas por dentro que não se sustentam mais.

Quanto melhor elaborada e justificada racionalmente, mais difícil identificar uma autêntica sabotagem. Os argumentos são tão fortes, os motivos tão intensos que o único caminho parece ser desistir de um projeto, abandonar a academia, desinvestir de um relacionamento, não ir mais à terapia, “chutar o balde” dos cuidados com a saúde ou se convencer de que é loucura desejar mais da vida. Continuar lendo

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Toda mãe é uma mulher

Patrícia Saar Paz*

A figura da mãe é, provavelmente, uma das mais idealizadas por nós. Supostamente mães são criaturas carinhosas, compreensivas e pacientes. Capazes de fazer tudo por suas filhas e filhos, amor maior não há. Preocupam-se, cometem sacrifícios pessoais, a tudo perdoam ou renunciam. Padecem no paraíso.

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Sobre a mania de querer mudar o outro

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Seja na família, trabalho ou vida social estamos imersos em relações e constantemente esbarramos com o diferente. Tudo o que difere de nossa forma de ação ou foge do que encaramos como usual tem o potencial de causar um misto de estranhamento e curiosidade, admiração e até mesmo incômodo.

Como Terapeuta de Casal sempre digo que as semelhanças, em uma relação, precisam ser suficientes para gerar identificação e afinidade, mas não intensas o bastante para impedirem o novo, fadando a interação à monotonia e ausência de evolução. Isso mesmo! Só evoluímos a partir do que não é usual, daquilo que quebra ou questiona o que está estagnado e enraizado. O diferente tem o potencial de desestabilizar “verdades” culturais, emocionais e comportamentais. Continuar lendo

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Prevenção do suicídio

Patrícia Saar Paz*

Em nossa última publicação trouxemos uma reflexão baseada na série 13 reasons why, que apresenta o tema suicídio de maneira equivocada ao coloca-lo nas formas de escolha e vingança.

No texto de hoje proporemos tratar o suicídio como uma possibilidade.

Quando uma pessoa pensa em acabar com a própria vida é muito provável que esteja vivendo um sofrimento quase insuportável, que já não veja sentido em seguir adiante ou não tenha encontrado caminhos para isso. Então o suicídio é, sim, visto como uma possibilidade por essa pessoa e se não o encararmos dessa maneira, dificilmente conseguiremos prestar uma ajuda útil para sua prevenção.

Diante da possibilidade de que uma pessoa querida tire a própria vida, quais condutas podemos adotar?

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Precisamos falar sobre suicídio – “13 reasons why”

Patrícia Saar Paz*

A série original da Netflix, 13 reasons why, tem dividido opiniões na internet. Há quem elogie a abordagem de assuntos tão graves e importantes, como o suicídio, bullyng e estupro, mas também são feitas críticas sólidas a respeito da produção.

Para quem não sabe do que se trata, a série conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que, antes de cometer suicídio, grava 13 fitas contando seus motivos. Cada motivo é associado a uma pessoa de seu convívio e as fitas são enviadas para todos os envolvidos, a fim de que compreendam sua participação na morte da personagem.

Assisti à série e penso ser pertinente propor reflexões sobre ela considerando dois níveis diferentes: forma e conteúdo.

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A família que escolhi

Patrícia Saar Paz*

Constituir família: casar, ter filhos. Esse pode ser o grande sonho de muita gente. É um sonho tradicional, bonito e, porque não dizer, um tanto comum. Não causa espanto a ninguém quando é declarado e há quem diga, inclusive, que é natural e necessário para uma vida feliz e completa.  

Quando tratamos a constituição da família como um desejo óbvio, deixamos de refletir criticamente sobre tudo que está envolvido nesse projeto.  Casar e/ou ter filhos não são etapas naturais da vida, como a queda dos dentes de leite. São escolhas que podem gerar satisfação, crescimento e alegria.

Ou não.

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Supervisão Clínica

PARA O ALTO E AVANTE!
QUERENDO AVANÇAR COMO PSICOTERAPEUTA SISTÊMICO?
SUPERVISÃO CLÍNICA – COMPARTILHANDO IDEIAS, TEORIAS E PRÁTICAS EM UM ESPAÇO SISTÊMICO.
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Foco no Problema e Foco na Solução

Vinicius Cavalcanti de Abreu*

Proponho um rápido exercício reflexivo: observe por um instante seu padrão de funcionamento para lidar com dificuldades e problemas. Quando me refiro a padrão, estou afirmando que cada um de nós tem a tendência a utilizar certos comportamentos, de forma repetitiva (não exclusiva), para lidar com as demandas da vida. Portanto, responda às perguntas abaixo:

– Qual tipo de problema tem o poder de me abalar mais, consegue me afetar de forma mais intensa? Para encontrar esta resposta você precisará olhar em retrospecto quais foram os maiores desafios que já enfrentou até o momento (financeiros, afetivos, familiares, profissionais, emocionais, etc).

– Diante destes problemas para onde, usualmente, direcionei minha energia física, mental e emocional? Pensar e “remoer” o problema ou buscar possíveis caminhos para sua superação?

– Considero-me mais eficiente em cultivar problemas ou encontrar soluções? Continuar lendo

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