Arquivo da tag: processo terapêutico

A impossibilidade de dar conta de tudo

Patrícia Saar Paz*

 

Alguns clientes, após sessões muito mobilizadoras, já me perguntaram você não sai daqui exausta depois de tanto sofrimento?. A verdade é que, sim, às vezes eu saio. Pode acontecer, e os leitores e leitoras que são clientes sabem disso, da sessão ser mobilizadora para mim também, e eu me emocionar junto. Seja por uma tristeza muito dolorida ou uma felicidade transbordante. Sem pedidos de desculpas no final, acontece.

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Psicoterapia é para os fortes

Patrícia Saar Paz*

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Você se lembra do bicho papão tirando sua tranquilidade na infância?

Não era raro que esse e outros monstros aparecessem dentro do armário, embaixo da cama ou se escondessem atrás de uma cortina. Escolhiam um momento em que estivéssemos sozinhas/os e no escuro para personificarem nossos medos e tirarem nossa paz. Impossível dormir assim! A solução, invariavelmente, era correr para o quarto dos pais ou gritar por socorro.

Graças ao bicho papão eu passei minha infância acreditando que todo adulto era corajoso. Afinal, eram eles que acendiam a luz e mostravam que não tinha monstro nenhum ali. Qual não foi minha surpresa ao descobrir, já adulta, que bicho papão muda de nome e cresce junto com a gente, perturbando nossas noites e sossego. E, pior ainda, que muito adulto têm medo de bicho papão a ponto de viver encolhido na cama, debaixo do cobertor, sem coragem de espiar o armário.

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Como você pode ser feliz?

Patrícia Saar Paz*

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Reclamamos, escrevemos e lemos textões em redes sociais. Ficamos indignados – e passamos um bom tempo nutrindo essa indignação. Guardamos mágoas, remoemos frustrações, contamos (mais de uma vez) todas as coisas desagradáveis que nos aconteceram ou soubemos ao longo do dia. Tudo isso pode nos tornar bastante miseráveis. Mas queremos muito ser felizes.

Naturalmente, não há uma fórmula para felicidade – desconfie de qualquer pessoa que prometa revelar tal coisa, pois as definições do que é felicidade, os meios para alcançá-la e mesmo sua vivência serão diferentes para cada um. Mas é seguro dizer que alguns comportamentos minam nossas possibilidades de sermos felizes.

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Ajude-me a mudar… desde que eu não precise mudar nada

Vinicius Cavalcanti de Abreu**

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Partilho da ideia de que terapeuta e cliente encontram-se em uma dança relacional* ao longo do processo terapêutico, onde, cada qual desempenha função ímpar para a harmonia, beleza e conquistas desta jornada.

O movimento de chegada de um cliente até a terapia é um passo muito importante, mas apenas o inicial para se deflagrar uma real busca e disposição para a mudança. É muito comum que a frase ouvida no subtexto das falas do cliente, “ajude-me a mudar”, tenha como complemento “… desde que eu não precise mudar nada!”. Convenhamos! Mudar é trabalhoso e arriscado. Por mais desconfortável que seja o lugar em que estou, este já é bem conhecido e tem lá o seu conforto e segurança.

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Tudo bem, pode ficar triste

Patrícia Saar Paz**

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“Não fica triste não” escutamos, desde crianças, cada vez que nossos semblantes denunciam o que está acontecendo dentro de nós. “Não fique triste assim” como se houvesse um botão capaz de desligar o sentimento e o fazer desaparecer. “Não acredito que você está triste por isso!”, como se nossa tristeza precisasse de autorização ou legitimação de quem nos cerca.

Não sabemos lidar com a tristeza, seja ela nossa ou do outro. Buscamos formas de nos distrair e enganar, tentamos todo o possível para espanta-la ou fazer de conta que ela não está lá. A tristeza dói, é indiscutível. E, mais que isso, a tristeza incomoda. Continuar lendo

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Curando feridas

 

Patrícia Saar Paz*

Las lágrimas de colores de Frida

 

Muitas vezes o processo terapêutico trata de feridas e ofensas já antigas, mas que seguem causando sofrimento por ainda não terem sido levadas a um desfecho adequado. A pessoa que sofre pode prender-se à história vivida de tal forma que fica impedida de encontrar diferentes ângulos para encarar aquilo que viveu, criando um caminho sem saída no qual parece não haver possibilidades de cura. Continuar lendo

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Sentir e fazer sentido

Patrícia Saar Paz

Bodysnatchers Melissa McCracken

Por muitos anos fiz terapia com um psicólogo extremamente sensível e competente, que repetidas vezes, após discorrer sobre suas percepções acerca da nossa conversa, dirigia a mim a pergunta “isso faz sentido para você?”. Ao ouvir esta frase, era imediatamente levada a focar a atenção em mim e investigar o efeito que suas palavras haviam provocado em meus pensamentos (eu concordo com o que ele disse? nossas percepções estão indo pelo mesmo caminho? há algo que precise ser explicado melhor?) e também em meu corpo (um aperto no peito? um nó na garganta? um peso retirado dos ombros?). Continuar lendo

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